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Por Ary Alonso Millan(†)

Se soubéssemos o quanto é poderoso o nosso desejo, trataríamos a conquista de outra forma. Não ficaríamos aprisionados no esforço, na luta de convencer ou seduzir alguém. Teríamos a verdadeira liberdade, sem precisar da aprovação ou da opinião que podem ter sobre nós. A necessidade de falar, de expressar nossas idéias com o único objetivo de impressionar, seria substituída pelo silêncio do desejo.

Infelizmente, preferimos o barulho da vontade e do querer, que são declarados quase como ameaça. Não seguimos nossa essência porque temos medo dela passar despercebida. Afinal, nós assistimos tantos fracassos na telinha e na telona, que sempre mostram as pessoas sofrendo de amor.

Ora bolas, ninguém sofre se é um desejo verdadeiro. Sofremos porque temos quereres, vontades que nos levam ao poder e ao domínio sobre o outro. Disfarçamos toda a verdade com nosso teatro, às vezes maroto, que engana o outro, às vezes cabotino, quando nos enganamos na própria roupa que inventamos.

A arte da conquista está na espera do amadurecimento da verdade. Isso não pode ser apressado, não pode ser confundido com o que queremos de forma instantânea.

Ficamos tão sujeitos aos códigos de conduta, que já não conseguimos saber a diferença entre o desejo e a vontade. O primeiro é atemporal, não passa, enquanto o segundo responde ao nosso instinto de sobrevivência imediata, amanhã nem lembramos mais.

A verdadeira conquista se dá quando não existe alternativa. Não quando queremos namorar ou casar, mas sim quando só enxergamos uma única possibilidade.

Abandone a impaciência para poder criar o melhor, deixando o seu desejo apenas amadurecer.

Cuide da causa e controle o efeito.