Por Ary Alonso Millan(†)

O afastamento do convívio com as forças da natureza foi natural com o desenvolvimento científico. Mas houve também uma separação na raiz social, quando a família perdeu importância, especialmente, na ausência de patrimônio. Tudo isso, em nome do desejo por mais independência.

O fato é que se perdeu boa parte da harmonia das coisas. A rebeldia se esquece de que tudo no Universo caminha para a ordem. Por que será que queremos corrigir o perfeito das leis da natureza?

Segundo essa premissa, enxergamos que existe injustiça em toda parte, quando tudo que está acontecendo a cada momento faz parte do que é natural e acessível à inteligência racional e lógica, a qual é informada exclusivamente pelos nossos cinco sentidos. Estabelecemos obrigações, por exemplo, entre pais e filhos e vice- versa, de responsabilidades além da fase de formação e educação. É como se precisássemos de babá eternamente, filhos e pais.

Com isso, cria-se um sentimento de dívida em ambos os lados. Todos são credores e devedores ao mesmo tempo, mas ninguém quer ser responsável por si. É raro vermos algum herdeiro que não está esperando o seu quinhão e parte para a construção da própria vida. Dessa forma, perde-se o principal legado: a capacidade de construir.

Aqui, com o atraso político e social, ainda vivemos a era da esmola, já que a quadrilha no poder não quer uma nação pensante para estragar a brincadeira. A boa notícia é que cada um pode criar a sua realidade, independentemente do que os outros pensam ou fazem. Basta assumir a responsabilidade pela própria vida.

Cuide da causa e controle o efeito.