Por Ary Alonso Millan(†)

Os hábitos e costumes mudaram muito nas últimas décadas. Como lembram alguns, tínhamos tempo para pensar, para fazer amizades, para namorar e até para trabalhar. Tudo com respeito e equilíbrio.

Hoje, quase todos nós adquirimos uma “religião” que está acima de qualquer coisa: o trabalho. Talvez a melhor comparação fosse com uma ditadura, já que a interferência atual dos governos na nossa vida é maior do que no período após 64. Mas ninguém nem percebe, não temos tempo pra isso porque temos que trabalhar. Até a família fica em segundo plano quando o assunto é trabalho. Claro, afinal como prover sem uma atividade remunerada? Pior: imaginamos que aqueles que não se matam de trabalhar são necessariamente preguiçosos ou inferiores. E no mundo físico não tem nada mais prejudicial, numa relação de todo tipo, do que ser considerado indolente ou sem trabalho regular.

A sociedade faz o indivíduo se sentir um fracassado se ele possui um estilo de vida mais ameno, se divide seu tempo com a natureza ou se sobrevive com tranquilidade. Como assim? Será que todos nós precisamos enlouquecer no dia a dia? A frase mágica que justifica qualquer sandice é: “Estou trabalhando muito”. Com isso, podemos fazer qualquer coisa, pois há uma justificativa, um verdadeiro salvo-conduto.

Pois não conheço uma pessoa que costume dizer que trabalha muito e que não esteja desequilibrada, física ou emocionalmente. Está acima do peso regular, suas relações são feitas de altos e baixos ou a clássica história de não “perdoar” pai e mãe. Um prato cheio esse entendimento que responde a tudo, de culpar um inconsciente.

Acontece que agir pelo “inconsciente” é só usar a consciência instantânea do corpo, é abrir mão do livre arbítrio, é voltar às cavernas. Tanto assim, que depois nos arrependemos e, no íntimo, sempre sabemos que não fizemos o nosso melhor.

Administrar bem a vida – não sendo dominado ou escravizado pelo trabalho – ajuda a percebermos nossa consciência metafísica e acessá-la.

Dirija sua vida com tranquilidade e alcance o verdadeiro sucesso: o de harmonia.