Por Ary Alonso Millan(†)

Ser mantido como refém talvez seja uma das coisas mais apavorantes que uma pessoa possa viver. É o ápice do controle humano sobre o outro. Nós já sabemos o quanto precisamos nos sentir superiores para alimentar nossas necessidades de sentir prazer. De fato, é algo tão enraizado na nossa natureza física, que nem percebemos quando está acontecendo sem a figura do sequestrador.

Não temos a menor ideia de quanto nos deixamos numa posição de refém, quando permitimos que hábitos, manias e princípios dirijam a nossa vida. Para a nossa inteligência racional e lógica, parece que a vida foi feita para estabelecermos o que é certo e o que é errado, gerando assim uma memória que podemos utilizar a todo instante, para julgar coisas e pessoas.

Na verdade, apenas a nossa teimosia em não abrir a nossa mente para o novo e para mudanças é capaz de criar situações que nos deixem amarrados. A nossa capacidade é expandida a cada dia pela tecnologia, mas nossas crenças e valores morais fazem com que o nosso sentimento sempre seja de incapacidade física, mesmo após uma realização que pensávamos ser impossível.

Tudo isso vem do medo que achamos natural ter com relação ao desconhecido. O que não conhecemos não pode ser controlado, pensamos, enquanto buscamos uma forma de nos manter seguros. Acontece que a coisa mais certa sobre a vida é a sua própria incerteza do ponto de vista racional e lógico. Então, por que queremos controlar o incontrolável?

Porque, para a nossa essência, o aspecto metafísico da nossa existência, não existe o impossível, o que não pode ser controlado.

Ficamos reféns da percepção dos cinco sentidos, de uma forma tão ridícula que, mesmo assistindo ao inexplicável ou sem sentido acontecer o tempo todo, continuamos limitados ao que os “seqüestradores” de pensamento querem nos impor.

Liberte-se do cativeiro, indo agora em busca do encontro com a sua inteligência sutil, simplesmente, aprendendo a gostar das mudanças.

Cuide da causa e controle o efeito.